Hoje é dia da Engenharia

Fonte: www.vagas.com.br

por Fernanda Bottoni

Conheça 5 tipos de engenharia e veja se você gostaria de seguir este caminho

Aqueles que estão pensando em seguir a carreira em Engenharia ou já começaram a graduação e ainda não decidiram que área seguir devem ficar atentos ao ritmo e às tendências do setor para não dar bola fora. Para saber quais devem ser os rumos da Engenharia e do mercado de trabalho da área, conversamos com Luciano Pereira Soares, do Insper, que tem acompanhado de perto esses movimentos.

1. Engenharia Mecânica

Muita gente desconhece tudo o que faz um engenheiro mecânico, diz Soares. “A maioria das pessoas pensa que ele só faz carros”, afirma. Claro que o mercado automobilístico é grande e está bem desenvolvido, diz ele, mas outras áreas devem crescer nos próximos anos.

“A térmica, por exemplo, que analisa pressão, temperatura e qualidade do ar nos aviões, que não tem nada a ver com o motor da turbina, mas estuda de que forma os passageiros podem se sentir mais confortáveis dentro do avião é daEngenharia Mecânica e deve crescer muito”, diz ele. Outro caso é da área de geração de energia e consumo. “O engenheiro tem que saber quais as melhores formas de usar as energias que têm à disposição.”

2. Engenharia Mecatrônica

Essa área da Engenharia que combina os conhecimentos de mecânica e computação já é muito requisitada e deve ser ainda mais nos próximos anos. “Cada vez mais os equipamentos mecânicos serão controlados por computadores, tudo deve ser automatizado”, diz Soares.

“Pense que todos os componentes puramente mecânicos que existem hoje terão algum grau de controle automático no futuro, as máquinas que dependem de alguém girar a manivela para acertar a regulagem deverão ser eletronicamente controladas”, acredita.

3. Engenharia da Computação

A área de informática esta em evolução e não se imagina que deva parar de crescer. “Novas tecnologias surgem o tempo todo, a computação está em todo lugar, por isso a área da Engenharia da Computação tende a manter um ritmo muito bom, tanto de formação de novos profissionais quanto de contratações”, afirma.

Ele explica que a principal diferença entre o curso de Ciência da Computação e Engenharia da Computação é que o primeiro é basicamente focado em softwareenquanto o segundo lida tanto com software quanto com hardware. “A solução para uma empresa nunca é apenas software ou apenas hardware e o engenheiro da computação consegue entender bem essas duas demandas”, afirma.

4. Engenharia Biomédica

A área que mistura conhecimentos de Medicina com Engenharia, sem dúvidas, deve bombar nos próximos anos. “Esses profissionais serão muito demandados pelo mercado de trabalho, mas hoje poucas escolas oferecem esse curso”, diz Soares. Uma delas é a Universidade Federal de Uberlândia. “Não é tão simples montar um curso assim, pois exige parceria com algum hospital”, explica.

5. Engenharia Civil

“É uma das Engenharias mais procuradas. É fato que quem se forma atualmente não tem dificuldade de conseguir emprego, mas também a procura por esse curso cresceu muito nos últimos anos e a quantidade de profissionais é muito alta. “Temos muitas obras e construções no país, mas esse crescimento não deve manter o ritmo com recessões, logo esses profissionais sofrem mais o efeito”, explica.

Outra tendência que Soares aponta é exatamente na formação dos novosengenheiros. “Os cursos devem deixar de ter carga técnica tão alta, pois precisam ser complementados com outras ênfases, como empreendedorismo e entendimento do ambiente e dos usuários”, explica. “Se o engenheiro vai criar soluções para melhorar a vida das pessoas, ele tem que entender as pessoas e apenas a carga técnica alta não vai dar essa condição.”

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O que podemos aprender com o filme “Tarja Branca”?

Blog

Corre nas redes sociais uma pequena frase, mas com significado pungente: o que você deixou de ser quando cresceu?

Produzido há alguns anos e dirigido por Cacau Rhoden, o filme Tarja Branca (em inglês, foi divulgado com o nome “Drops of Joy”. Fica difícil escolher qual é o melhor nome) faz um apelo à urgência de tornar os nossos tempos mais leves. A proposta é, literalmente, resgatar a inocência do brincar numa espécie de revolução. E, segundo a reflexão que o próprio filme faz, com as lições passadas a Educação também estará salva.

Organizado com depoimentos diversos de artistas e brincantes, o filme se divide entre o enaltecimento da brincadeira como remédio para os nossos tempos e também a valorização da cultura popular. Uma das ricas falas, inclusive, é do saudoso ator Domingos Montagner. Um dos fundadores da companhia “La Mínima” de teatro, Domingos reforça a importância do não fazer nada. Nada mesmo. Aliviar as agendas, começando com as das crianças.

A infância é o período da vida que melhor representa a espontaneidade. É a fase em que você diz o que tem de ser dito, vê as coisas ao redor com leveza e vida e tudo é motivo para sorrir e brincar. Pois bem. Agora você é adulto. Onde está a sua criança interior? É válido aproveitar a reflexão do filme e repensar. Ao final, você só vai querer lutar pelo direito de brincar da criança.

Através das falas e dos depoimentos, a reflexão possível que se chega é que a brincadeira das crianças está em crise. Brincar virou algo perigoso. Esconde-esconde, pega-pega, empinar pipa, pular corda, e os versos da canção Doze Anos, de Chico Buarque, da Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton Nascimento e de Moleque, de Gonzaguinha, estão cada vez mais ausentes em nossa sociedade.

Mas o que nós, como adultos, podemos fazer para reverter esse cenário? Apoiar, primeiramente, a importância do brincar. Enxergar a criança como o que ela de fato é: criança (ou você já não se lembra mais como foi sua infância?). E isso vale para o ambiente escolar igualmente. Educadores, estamos respeitando adequadamente os momentos de nossos alunos? Depois, vale tentar resgatar esse olhar mais terno e de encantamento que é bem presente entre as crianças. Precisamos olhar o mundo de um outro jeito, e empreender essa nova revolução, onde todos sairão ganhando. E então teremos mais um verso de canção presente em nosso dia a dia: “o mundo visto de uma janela pelos olhos de uma criança”.

Olimpíada de Matemática na Europa: substantivo feminino

Fonte: Só Notícia Boa

olimpíadas-matematica-close-768x499Jamile/CE, Júlia/RJ, Ana (líder) e Mariana/RS – Foto: Divulgação / IMPA

Pela primeira vez um grupo de alunas do Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul vai participar da olimpíada de matemática internacional destinada a equipes femininas.

É a European Girl’s Mathematical Olympiad (EGMO), que será de 6 a 12 de abril em Zurique, na Suiça.

As meninas brasileiras vão competir com mais de 40 equipes de países diferentes.

O torneio foi criado para despertar a atenção das meninas para as competições de matemática, que, no geral, são mais disputadas por garotos.

A competição tem formato parecido com outras olimpíadas, com dois dias de prova, sendo cada dia com três questões.

Prêmios

As premiações são entregues de acordo com as faixas de pontuação de cada participante.

Para receber uma medalha de ouro, é preciso obter uma certa nota. Para receber a de prata, outra marcação e para receber a de bronze, outra.

“Essa olimpíada está sendo um convite aberto para as garotas. É um chamado do tipo ‘Venham, aqui é o lugar de vocês!’ Isso é fantástico”, conta Jamile Falcão, cearense de 14 anos, e uma das participantes da EGMO.

Além de Jamile vão participar também Júlia Saltiel, do Rio de Janeiro, Juliana de Souza, de Minas Gerais, e Mariana Groff, de Porto Alegre.

Elas foram premiadas na Olimpíada Brasileira de Matemática por isso estão indo agora para a disputa internacional.

Como

A participação da equipe feminina na EGMO foi garantida graças a um patrocinador.

O IMPA, Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, está arcando com todos os custos da viagem da equipe para a Europa.

O financiamento foi de quase R$ 45 mil. Sem ele, o Brasil seguiria fora da competição internacional de Matemática.

Só quatro?

A notícia é boa, mas por que há apenas 4 estudantes brasileiras?

O baixo número de participantes femininas acontece por causa da pouca divulgação focada neste público.

“Na minha época eu me sentia acanhanda porque só haviam homens no meu grupo”, conta Ana Karoline Borges, estudante de Engenharia do IME e veterana participante de competições.

“É esse o objetivo da competição, mostrar que mulher também participa”, conlcluiu.

Com informações da Galileu

ENTREVISTA: O professor José Carlos Fernandes fala sobre carreira militar

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Para ele, os sonhos são “estruturas muito etéreas – palavra difícil de transcender.” E apesar da definição um tanto peculiar, nunca deixou de sonhar. Primeiro, quis fazer Jornalismo. Mais tarde, foi aprovado para a EPCAR e chegou a cursar – se um problema de saúde não o tivesse impedido, certamente concluiria. Finalmente, encantou-se pelos caminhos da licenciatura, foi estudar Física e lá se vão mais de 10 anos de atuação em sala (se você o conhece, não se assuste! Ele é jovem; é que começou a ministrar aulas muito cedo).

Estamos falando do professor José Carlos Fernandes, muito mais conhecido como Zé, um dos coordenadores do Ponto de Apoio. Conversamos um pouco sobre carreira militar e o nosso bate-papo você confere a seguir.

Aquela pergunta que jamais se calará: há perfil e idade para ingressar na carreira militar?

Quanto ao perfil, é relativo. Porque a partir do momento que você se prontifica a entrar na carreira militar, pode mudar suas perspectivas e parte do seu comportamento. Eu mesmo, quando entrei na EPCAR, acabei saindo mais disciplinado do que entrei. Obviamente, ter uma disciplina te ajudará em dois grandes pontos: primeiro que um dos pilares da vida militar é a disciplina. Depois, a própria preparação para passar no concurso exige uma disciplina nos estudos.

Com relação à faixa etária, com certeza. Cada concurso tem uma idade minima e uma idade maxima para entrar. A maioria deles, nível Ensino Médio, gira em torno dos 17 aos 22 anos – com exceção do IME e ITA, que têm uma faixa de idade um pouco mais larga, e as provas do Colégio Natal e EPCAR que têm uma entrada com alunos um pouco mais novos.

Você como professor acaba se tornando também um conselheiro. Quais são os principais motivos que fazem com que os jovens pensem em seguir esse tipo de carreira?

 Existem todos os casos possíveis. E é importante ressaltar que, independente do motivo pelo qual o aluno tenha o sonho de ingressar, nenhum é mais importante do que o outro – até porque cada um sabe o quanto pesa aquilo que carrega dentro de si. Existem dois grandes blocos, estatisticamente: o aluno que vai em busca da estabilidade financeira e quem tem um sonho muito específico, como é o caso de quem tenta a AFA, para aviação. Mas já encontrei ao longo dos meus 15 anos de caminhada com a preparação para as turmas militares gente que procura por uma questão histórica ou tradicional, porque boa parte da família é da área, por curiosidade, ou porque talvez fosse o único caminho possível para uma remuneração melhor que se estenda ao restante da família.

De acordo com sua vivência em sala e a partir das dificuldades que observa, o que o jovem que pretende tentar carreira militar mais tem que focar, entre as disciplinas, e que tipo de preparo prévio é desejável ter?

Primeiro ponto, importantíssimo: ter uma boa organização e disciplina. O aluno deve montar um cronograma e respeitá-lo rigorosamente. Esse ponto, inclusive, serve para qualquer concurso que se esteja tentando.

As provas militares têm uma característica diferente das outras que é o fato de ter um número restrito de disciplinas, em sua maioria. Por exemplo, as provas da AFA (especialista) e da EFOMM só cobram quatro disciplinas: português, matemática, física e língua estrangeira – além da redação em alguns casos. E nesse histórico, as menores notas costumam ser de física e língua inglesa. Independente disso, que é um dado estatístico, é extremamente importante que o aluno se dedique mais àquilo que sabe menos, já que as provas têm caráter eliminatório. É necessário que se obtenha uma pontuação mínima para continuar no concurso. Isso não significa que você seja classificado, mas para ser aprovado é necessário ter um quantitativo mínimo.

Um trabalho em cima das provas anteriores também é muito importante, para que o aluno tenha conhecimento do padrão e do quanto necessita para a resolução das questões, porque boa parte dessas provas contam com tempo muito curto.

De modo geral, que dicas você daria para quem pretende tentar a carreira militar agora?

A principal, que já foi citada, é a dedicação/organização. A preparação vai exigir tudo isso de você, pra que trabalhe as disciplinas que tem mais dificuldade – e ao mesmo tempo trabalhando todas. Uma boa orientação: ter alguém que indique bons caminhos também ajuda bastante. E que tenha persistência. Estamos falando de uma carreira em que o grau de concorrência é alto e o número de vagas em alguns casos é menor. Isso faz com que, em média, você não passe de primeira. Então, é importante se preparar o quanto antes. E tenha a persistência de não desistir no primeiro insucesso, que nesse caso pode ser apenas um trecho para a sua caminhada de vitória.

Carreira militar: do sonho à realidade

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Dois anos e muitos questionamentos separavam Eliana Martins da carreira militar. Normal para quem vive o exato momento de transição entre a saída da escola e a escolha decisiva para o futuro. Mas com paciência, dedicação e bons encontros pelo caminho, a futura oficial da EFOMM pode contar a sua história, que está só no começo.

Além de ter passado para a EFOMM, Eliana recentemente descobriu que foi convocada para ingressar também no Corpo de Bombeiros como oficial. Mas a decisão está tomada: a jovem de 21 anos vai para a Marinha. Conversamos com Eliana e constatamos que: sim, é possível. Sim, você pode.

Primeiro situa a gente, Eliana. Como tudo começou?
Tudo começou quando eu conheci o Ponto de Apoio, por um amigo, o Jonatas. Ele é ex-aluno do curso e um anjo que me apareceu. Ele me disse que trabalhava como monitor no curso e anunciou a necessidade de monitores. Me interessei pela vaga e o Jonatas disse que me indicaria pro Alexandre, proprietário do curso.

Eu fazia faculdade de Matemática e no meio do ano recebi uma proposta de uma universidade particular para ganhar bolsa de estudos e jogar vôlei no time oficial. Estava cogitando a possibilidade, mas o Alexandre conversou comigo e me aconselhou a tentar outras possibilidades. Ele me convidou pra fazer o curso no Ponto de Apoio com bolsa enquanto trabalhasse como monitora. No ano seguinte, então, comecei como aluna do pré-vestibular.
Mas não sabia se queria ingressar em outra faculdade, principalmente pelo fato de saber que eu teria que passar 4 anos estudando sem remuneração. Foi então que troquei de turma e comecei a estudar no pré-militar.

E você passou a repensar seu futuro a partir daí. Tinha muito o que estudar?
Sim, pensei. Tinha bastante coisa pra estudar e não seria fácil.
Mas a ideia de tentar EFOMM me atraiu porque eu já sairia empregada, sem contar que recebo durante o curso. As possibilidades de viajar também me atraíram.
Com a Matemática, eu seria habilitada pra dar aula, e realmente não me sentia completamente realizada – diferente da EFOMM.

Mas eu sabia que não conseguiria passar na primeira tentativa. Fui montar minha base, com a ideia de fazer a prova novamente em 2016. Fiquei, então, o ano passado estudando o máximo possível. Eu estava mais confiante. Esse era o meu ano, tinha que passar.
Achei que tinha feito uma prova razoável, e quando fui ver o resultado, meu desempenho em Física não foi bom. Meu mundo “desabou”. Mas em seguida saiu o anúncio de que o quadro de vagas não estava completo e abriram, então, pra quem tivesse completado 50 pontos em Física.
Fui convocada e passei por todas as etapas: inspeção médica (a princípio, cheguei a ser eliminada por problemas na documentação, mas em seguida fui reconvocada). Um mês depois, o teste físico: outra etapa que tive que treinar o mês inteiro, entrar na natação, correr todos os dias. Superei meus limites e consegui.
No final das contas, passei na posição 43, uma boa colocação, e estou feliz à beça!

Na sua opinião, que outros pontos merecem destaque quando o assunto é a carreira militar?
As escolas militares em geral, pra oficial, você já ingressa com alguma remuneração. Na EFOMM é algo em torno de 1.000 reais. E, depois, a carreira como oficial mercante é atrativa também pela renda. Você passa 3 anos de formação como oficial e escolhe uma das duas áreas: Máquina e Náutica. E, depois, a praticagem. Algumas empresas disponibilizam a praticagem (uma espécie de estágio) com alguma remuneração. E, depois disso, você pode trabalhar pra empresas privadas com uma remuneração muito boa (o processo seletivo funciona como no mercado de trabalho mesmo). Em geral, no primeiro emprego você já recebe entre R$12 a R$13 mil, uma renda muito boa.

Quais fatores você diria que foram fundamentais para percorrer essa trajetória?
Muito estudo, força de vontade, o apoio do curso e amizades. O Jonatas é um exemplo pra mim. Hoje é um dos meus melhores amigos, porque começou por baixo. Teve uma educação fraca de escolar pública, conheceu o Alexandre – que foi o anjo dele – e hoje está no Corpo de Bombeiros.
O Ponto de Apoio não é uma equipe de funcionários e alunos; é uma família. Principalmente a turma do militar, que ficou muito próxima. E por isso foi possível criarmos um vínculo entre nós. Um ajudando o outro, um clima muito legal. Valeu demais também ter intimidade com os professores, poder perguntar qualquer coisa, mandar mensagem no whatsapp, e todos os professores estarem sempre disponíveis.

Dandara: A Face Feminina de Palmares

Fonte: Jornal Ponta Livre

“Eu quero uma história nova

Não este conto de fadas brancas e ordinárias

Donas de nossas façanhas

Eu quero um direito antigo

Engavetado em discursos

Contidos, paliativos

(Cheios de maçãs e pêras)

Bordados de culpas e crimes

Eu quero de volta, de pronto

As chaves dessa gaveta

Por arquivos trancafiados

Onde jazem meus heróis

Uma “nova” história velha

Cheia de fadas beiçudas

Fazendo auê, algazarras

Com argolas nas orelhas,

De cabelos pixaim

Engasgando príncipes brancos

Com talos de abacaxi”.

Durante os quase quatro séculos de escravidão negra no Brasil, a luta do povo negro e sua resistência sofreu tentativas sucessivas de serem apagadas das páginas da história oficial das elites. Renomados intelectuais como o Pernambucano Gilberto Freyre, em sua famosa obra “Casa Grande & Senzala” que ressalta a importância da miscigenação no Brasil, porém criou mitos como a “democracia racial”, ou seja, a errônea idéia de que no Brasil não existe racismo, quando sabemos que o negro até hoje é vítima de preconceitos que permeiam diversos níveis e que não os fazem participar de forma justa da inclusão social. Observamos resistências até hoje de muitos brasileiros se identificarem como afros-descendentes, independente da cor da pele.

O negro, durante a diáspora que sofreu para diversos cantos do mundo para atender a sede de lucro dos proprietários, conservou seus traços identitários que permanecem até a atualidade e atravessaram os séculos, além de lutarem bravamente para saírem da condição de escravos.

A forma mais conhecida dessa resistência eram os quilombos que representavam a consolidação material da resistência dos negros à escravidão. Eram aldeias ou comunidades onde moravam muitos negros foragidos e serviam de reduto para receberem mais escravos que fugiam das fazendas a partir dos ataques que os quilombolas realizavam para libertar seus irmãos de cor.

No Brasil, existiram quilombos em todas as regiões. O mais conhecido foi Palmares que abrangeu parte de diversos estados do Nordeste, durou mais de 100 anos e teve mais de 20 mil habitantes, por isso não foi fácil vencê-lo, levando a elite escravocrata até a negociar com seus líderes, (o pacto de paz com Ganga-Zumba, rei de Palmares) o qual Zumbi seu líder Máximo foi contrário.

Todos nós, de alguma forma já ouvimos falar de Zumbi, embora sua memória por muito tempo esteve ocultada, mas, muitos personagens negros precisam ser lembrados como sua esposa guerreira Dandara.

Dandara além de esposa de Zumbi dos Palmares com quem teve três filhos foi uma das lideranças femininas negras que lutou contra o sistema escravocrata do século XVII. Não há registros do local do seu nascimento, tampouco da sua ascendência africana. Relatos nos levam a crer que nasceu no Brasil e estabeleceu-se no Quilombo dos Palmares ainda menina. Não era muito apta só aos serviços domésticos da comunidade, plantava como todos, trabalhava na produção da farinha de mandioca, aprendeu a caçar, mas, também aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e quando adulta liderar as falanges femininas do exército negro palmarino. Dandara foi uma das provas reais da inverdade do conceito de que a mulher é um sexo frágil.

Quando os primeiros negros se rebelaram contra a escravidão no Brasil e formaram o Quilombo de Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, Dandara estava com Ganga-Zumba. Participou de todos os ataques e defesas da resistência palmarina. Na condição de líder, Dandara chegou a questionar os termos do tratado de paz assinado por Ganga-Zumba e pelo governo português. Posicionando-se contra o tratado, opôs-se a Ganga-Zumba, ao lado de Zumbi.

Sempre perseguindo o ideal de liberdade, Dandara não tinha limites quando estavam em jogo a segurança de Palmares e a eliminação do inimigo. Chegando perto da cidade do Recife, depois de vencer varias batalhas, Dandara pediu a Zumbi que tomasse a cidade, isso é uma prova da valentia e mesmo um certo radicalismo dessa mulher. Sua posição era compartilhada por outras lideranças palmarinas. Para Dandara, a Paz em troca de terras no Vale do Cacau que era a proposta do governo português, ela preferiu a guerra constante, pois via nesse acordo a destruição da República de Palmares e a volta à escravidão. Dandara foi morta, com outros quilombolas, em 06 de fevereiro de 1694, após a destruição da Cerca Real dos Macacos, que fazia parte do Quilombo de Palmares.

Não sabemos como era seu rosto, nem como era exatamente, podemos compará-la a duas deusas do panteão africano, uma Obá ou Iansã, uma leoa defensora da liberdade.

Sua imagem vive e pode ser vista em cada pessoa que se identifica com suas origens, luta por liberdade, acredita em seus sonhos e “faz da insegurança sua força e do medo de morrer seu alimento, por isso me parece imagem justa para quem vive e canta no mal tempo”

Escrito por: Kleber Henrique – Professor de História

Sobre asas, sonhos e Educação

É preciso, muitas vezes, algum embrutecimento para lidar com o mundo como ele está. Quanto mais a vida endurece e nos afasta do que sonhamos, porém, mais parece que nos aproximamos da arte. Já repararam? Esperamos que ela seja capaz, numa espécie de arrebatamento, de nos aproximar de nossa essência e do que nos torna mais sensíveis. E, para fazer uma reflexão aproximando-nos de nossa atuação diária, mais dialogamos com a Literatura. De algum modo, é a escola que nos proporciona a capacidade não só de ler um texto (que nos conduza, de preferência, a um bom lugar), mas também de compreendê-lo. De decodificá-lo, tal qual palimpsesto – já que, tantas vezes, nem tudo está na superfície. É preciso mergulhar. Ler, compreender e se aprofundar no universo das palavras nos leva, ainda, a outras formas de expressão da arte: a música, por exemplo. Pura poesia; texto (será que não é por isso que o Nobel da Literatura foi conferido a Bob Dylan recentemente?).

Mas não é qualquer escola que nos apresenta esse mundo encantado(r). Sobre o tema, o consagrado educador e pensador Rubem Alves já teria ponderado: “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Alves, pungente, prossegue: “Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.”

Sim, temos um sonho. Nós queremos construir juntos uma escola que seja capaz de transformar o olhar de quem nela passar, a partir até mesmo da experiência que já temos em nossa atuação no curso pré-vestibular. Hoje, vamos além da fixação de conteúdos através de exercícios para preparar para as provas principalmente porque, para fazer a justa analogia, contamos com uma fórmula de sucesso que muito nos estimula: professores apaixonados e competentes + alunos interessados e inteligentes.

Nessa direção, e cientes das idiossincrasias de cada proposta, queremos uma escola que seja capaz de dar conta, com excelência, das disciplinas diárias, mas que promova no aluno também algum encantamento por aquilo que for, naquele momento, apresentado. Seja a palavra, seja o número. Não contamos com resultados idealizados ou utópicos; pode ser que ninguém se apaixone pelo que vai aprender e minimamente levará pela vida uma formação consolidada e ampla. Mas queremos também abrir caminhos para que isso – a paixão pelo aprendizado – se torne possível.